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Termas
de Ibirá
Perto de Ibirá, pequena cidade no noroeste paulista, no
centro de uma grande bacia e ao lado da rodovia W.Luis (entre São
José do Rio Preto e Catanduva), emerge as águas das fontes
hidromedicinais, ali existentes. Outrora esta bacia fora ocupada
por densa floresta de jabuticabeiras, do qual ainda encontramos
esporadicamente algum exemplar ressequido pela natureza que
substituiu a floresta primitiva.
Durante muito tempo estas fontes permaneceram no mais
completo abandono e inteiramente desconhecidas dos próprios
Habitantes de Ibirá. Entrementes, em época remota, pouco acima
das emergências, na cabeceira do rio Pouso Alegre, viveu uma
tribo de índios, que provavelmente se estabelecera ali pela
elevada abundância de caças que eram atraídas por essas águas
medicinais, e ainda pelo conforto que lhe prodigalizaria a
floresta de jabuticabeiras.
Segundo contam os antigos, no tempo em que existia a mata
virgem era grande a afluência de toda casta de animais, que no
instinto próprio pela conservação da vida, procuravam
certamente aquelas águas de preferência às outras para
abeberarem, ou iam a busca do sal carbonatado que branquejava nas
imediações das nascentes, como resíduo da evaporação dos
filetes da água mineral, que afloravam cor capilaridade , fenômeno
este que se podia observar em suas adjacências; era tão grande
em certa hora da manhã ou da tarde, segundo ainda nos informaram,
a afluência de pássaros, principalmente dos verdes de bico
redondo (tuins, periquitos, papagaios, etc.), que, devido ao
barulho do passaredo , era difícil duas pessoas se entenderem,
quando guindadas na espera de pau-a-pique espreitavam as vitimas
despercebidas.
Ao se proceder a captação das nascentes, no decorrer de
grande escavação em que se removeram centenas de metros cúbicos
de terra, foram encontrados troncos de arvores, detritos vegetais,
esqueleto completo de anta, caveira de macaco e de queixada, ossos
diversos de veado e de outros animais soterrados a profundidade de
cinco a sete metros, e no meio deste acervo velhíssimo, algumas
pontas de lança feitas pelos selvícolas, formando tudo um
cabedal interessante, com a qual se poderia, em visão
retrospectiva, reconstituir as cenas movimentadas que se
desenrolaram, em época distante, no recesso sombrio daquelas longínquas
paragens de nossa selva.
Pelas sondagens feitas nas imediações das emergências
pode-se fazer idéia da conformação primitiva do terreno, e
chegar-se à conclusão de que ali existira erosão profunda, que encaixava a água
mineral e com o correr do
tempo, foi sendo obstruída pelos enxurros, em conseqüência da
destruição da mata ali existente, sepultando-se , assim, os
destroços da luta pela vida, que lá travará o aborígine com a
alimária.
Quando conhecemos a fonte em seu nascedouro primitivo, a água
emergia tumultuosamente, pondo em continuo movimento a areia que
se antepunha à saída, apresentando-se como um grande atoleiro;
quando uma pessoa entrava no “poço”, afundava até certa
altura; entrava outra e assim sucessivamente três, quatro, até
oito mais indivíduos nele iam se acomodando perfeitamente,
alargando-se a sua capacidade de aparente exigüidade, para, num
carinhoso amplexo, a todos acolher em sua água benfazeja,
retornando, depois da saída dos banhistas, a sua dimensão
anterior.
Era tal a pressão exercida de baixo para cima, que, por
mais que se quisesse afundar, ou melhor, atolar, não se conseguia
submergir acima das axilas, e se o tentasse fazer, seria repelido
a tona, logo que cessasse a força compressora.
Se fossemos estudar a historia dos mananciais das Termas
Vanádicas de Ibirá, iríamos não encontrar os fatos da grande
tradição romana, fenícia, caldáica ou egípcia como as
caravanas que penetraram o coração montanhoso da Europa antiga,
à procura desses olhos de água miraculosos, da terra, numa
promessa de curas miríades.
Não! Mas, a necessidade orgânica da Vida presidiu aqui, o
mesmo fenômeno quase antípoda,, que proporcionou, noutras
plagas, o desenvolvimento de inúmeros e importantes centros de
civilização e progresso...
Lá, faraós, sacerdotes, pitonisas, doutores, sábios, heróis
e homens fanatizados escutaram a natureza e abriram passadas para
os pioneiros desses Balneários. Aqui foram, primitivamente, os
“Totens” das grandes tribos indígenas que vagavam por esses
recantos que descobriram o valor terapêutico das nossas águas
medicinais.
Os índios vieram na pega de antas e capivaras, de veados e
catetos, de quanta casta e abundancia de animais
que se concentrava nesta paragem, como que a chamado de uma
deidade restauradora da força, do vigor e da perspicácia
instintiva da formosa alimária.
E os índios aprenderam que aquela atração misteriosa que
a besta-fera sentia pelo local, nada mais era, senão ,
proveniente das curas que os animais encontravam para as suas
mazelas, num redemoinho barrento, acidental, justamente onde hoje
se localiza o Parque
Balneário Termas de Ibirá.
Hoje, através de estudos realizados, a arqueologia nos
confirma essas historias e ainda acrescenta como ponto de destaque
na geologia regional e a presença de fosseis representativos da
mega fauna do período mesozóico.
E essas historias verdadeiras formam hoje o doce romance da
geografia sentimental das Termas de Ibirá; são capítulos desta
mística feita de tradição e ciência.
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